BOAS PRÁTICAS

18/07/2022

Bullying nas escolas: o que o educador pode fazer para evitar?

O bullying é entendido como o ato de intimidar, ameaçar ou ser violento. Nas escolas, essas atitudes costumam ocorrer repetidamente com alunos, crianças ou adolescentes, motivado por diferentes causas, como aparência física, orientação sexual, raça, comportamento, etc. Atualmente ainda temos um fator a mais que pode ocorrer fora da sala de aula mas estar intimamente ligado a ela, o cyberbullying, quando as agressões ou ameaças acontecem por meio de aplicativo de mensagens, redes sociais ou plataformas virtuais. As vítimas desse tipo de violência podem sofrer traumas e danos psicológicos, e por isso é importante que, quando identificada a ocorrência, os educadores se mobilizem e tenham papel central na desconstrução dessas atitudes. Mas o que fazer quando você é educador e percebe que está ocorrendo bullying na sua sala de aula?

1. Previna

Seus alunos sabem o que é bullying? Conversar com eles sobre o assunto é uma boa forma de prevenir sua ocorrência. Muitos dos praticantes do bullying não entendem sua seriedade e suas consequências, e uma justificativa ouvida frequentemente é: “é só brincadeira”. Esses estudantes precisam entender que o bullying não é só brincadeira, e pode até incorrer em um crime, dependendo das ações. Também é importante para quem sofre o bullying saber identificar e saber que aquilo que está acontecendo com ela não está correto. Muitas das vítimas acreditam que seus agressores tem “direito” de fazer aquilo, ou acham que “merecem”, por serem diferentes ou chamarem atenção em algo. Elas também precisam entender a gravidade do que está ocorrendo para que tenham coragem de denunciar os agressores.

2. Fale sobre diversidade

O bullying costuma ocorrer com pessoas que se destacam de alguma maneira, por serem minorias (sociais e numéricas), por serem diferentes e não serem compreendidas em sua diferença. Portanto, falar sobre diversidade é uma maneira de ensinar os estudantes a se respeitarem, independente de suas diferenças. Acolher a pluralidade na sala de aula vai fazer com que os alunos se sintam mais confortáveis sendo si mesmos, independente de raça, orientação sexual, independente de seus corpos e seus maneirismos. É justamente nesta fase da escola que as pessoas estão se descobrindo e o ambiente ideal é aquele que as descobertas são desejadas e não motivo de deboche. Falar sobre como o mundo é diverso é uma lição pro resto da vida, já que os estudantes vão ter que conviver com pessas diferentes deles fora da escola o tempo todo. E quanto mais crescer o respeito pelo diferente, mais vai diminuir o bullying.

3. Acredite na vítima

As vítimas geralmente tem dificuldade em admitir que estão sofrendo bullying. Isso pode acontecer por vergonha, por medo de represália, por achar que não vai adiantar nada dizer e por medo de serem desacreditadas. Quando ouvir um relato de bullying de um estudante, por mais que ele pareça absurdo, é preciso investigar com seriedade, pois crianças e adolescentes cada dia mais encontram formas diferentes e criativas de serem violentas umas com as outras. Nunca diga que a vítima está inventando ou “vendo coisas que não existem”. Primeiro porque a chance da criança estar mentindo sobre a agressão é baixíssima, e segundo porque caso isso aconteça, vai haver um motivo que pode ser igualmente preocupante.

4. Avise a coordenação

Ao ficar sabendo de uma situação de bullying, se não for possível intervir no momento do acontecimento, é preciso levar o caso imediatamente à coordenação ou direção da escola. A direção vai então apurar o ocorrido e chamar os pais dos envolvidos para conversar, tanto dos agressores quanto das vítimas. Esse passo é importante porque por mais que pareça que o professor consegue lidar sozinho e resolver a situação momentaneamente, a mesma coisa pode vir a se repetir em outro momento, na aula de outro professor, no intervalo, etc, e levar à coordenação é uma forma de centralizar essas informações. O comportamento violento também pode estar (e normalmente está) relacionado à situações pessoais vividas pelo estudante, e a conversa com os pais vai ajudar a identificar e pensar soluções para os problemas descobertos.

5. Não descarte o cyberbullying

O cyberbullying é aquela agressão ou intimidação que ocorre em um ambiente virtual. Ele pode ser ainda mais difícil de ser percebido, já que não precisa ocorrer diretamente no período escolar. No entanto, devemos ficar atentos para mensagens, comentários, etc. Geralmente os professores só saberão desse tipo de bullying se por acaso estiverem nas mesmas redes sociais e “trombarem” com as mensagens, ou se algum estudante, mesmo que não seja a vítima, fizer uma denúncia. Nesse caso, é importante tirar prints ou fotos da tela com as mensagens agressivas, porque o agressor pode apagá-las depois. Também é importante estar atento à legislação de crimes digitais, pois o vazamento e divulgação de informações ou imagens intímas ou difamatóras é crime e deve ser levado à justiça.

O bullying é um problema antigo, apesar de sua nomeação ser recente. Isso quer dizer que as crianças e jovens vem lidando com as agressões em ambiente escolar há muito tempo, com consequências psicológicas que às vezes os seguem até a vida adulta. Cada vez mais temos educadores sensibilizados para a questão, de forma que atualmente essas práticas violentas são levadas muito mais à sério e combatidas com mais afinco. Uma sala de aula mais saudável forma indivíduos mais saudáveis, e é isso que temos que buscar sempre.

Fontes:

https://monografias.brasilescola.uol.com.br/educacao/bullying-a-importancia-da-intervencao-do-professor-em-sala-de-aula.htm

https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2011/02/bullyingcolegios.pdf

http://www.escoladeformacao.sp.gov.br/portais/Portals/84/docs/Livreto_Guia_do_professor.pdf

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